Já lá vão umas semanas desde o final do RPGénesis 2019. O desafio começou a 4 de agosto e correu durante 9 dias até o dia 12 do mesmo mês (o tempo de submissão foi alargado devido à participação internacional, originalmente deveriam ser apenas 7 dias).

O desafio era simples: Escrever nesse tempo limitado um RPG com o mínimo de 5000 palavras que pudesse ser jogado apenas com o texto submetido.

Este desafio, lançado pela comunidade portuguesa de RPGs, nomeadamente dreamup, Lady Entropy, jrmariano e scumbagDM, viu a maior adesão de todas as sua edições que resultou em 20 submissões – 20 jogos narrativos.

As submissões não foram somente de entusiastas nacionais, mas contaram com participantes do Brazil e dos Estados Unidos, que, sem desejar diminuir ninguém, nos trouxe uma participação de Paul Czege, um dos membros do The Forge.

Eu também resolvi participar. Há varios anos, um grande amigo me tinha desafiado, mas nunca tinha acreditado ser capaz de em tão pouco tempo produzir nada que valesse a pena. Desta vez tentei. Não sei se o resultado valeu a pena, ainda não me dediquei a reflectir muito sobre isso, mas todo o processo valeu – e muito. Por isso e por me ter dado a oportunidade de conhecer gente fantástica – Obrigado RPGénesis.

Deixo agora a lista de jogos submetidos nesta edição:

Terra a Dentro

Da autoria de dreamup, um criador nacional, Terra Adentro é um jogo de fantasia medieval, esculpido a partir de Dungeon World.

Phonomancer

Phonomancer é um jogo nacional, desenhado por Lady Entropy, inspirado pelo comic Phonogram, é um jogo sobre escolhas, escolhas que implicam sacrifícios nomeadamente quando o poder nos afasta e leva por caminhos que nos obrigam a fazer escolhas. Segundo a autora a frase que define o jogo é: “Sacrificar, em troca de poder, o que mais amas no altar do fanatismo”.

A Viricorne Guide

Paul Czege criou este jogo em que o mestre de jogo assume o papel de um guia numa cidade misteriosa, e onde o jogador, um aventureiro, se vê utilizando os seus serviços. Neste jogo são utilizados tokens que quando terminam, termina a visita do aventureiro. Mas o que o levou até Viricorne?

HAT: Honor Among Thieves

HAT é um jogo da criadora nacional Minakie, onde os jogadores assumem o papel de honrados ladrões. O Jogo não limita o género de cenários ou tipos de personagem, por outro lado, foca-se no desenvolvimento individual dos mesmos para cada jogo, que se organiza em missões, ou, talvez os devéssemos chamar de “esquemas”.

Fadário

Penso que posso classificar o Fadário de um RPG do quotidiano. O seu criador, Miticspell, não ficará aborrecido comigo. Neste jogo, os jogadores assumem o papel de pessoas comuns que tentam viver a “vidinha” no seu bairro, entre trabalho e casa. O Fadário está criado para ser jogado em apenas uma sessão munindo-se de tabelas de aleatoriedade.

The King of the Ants

The King of the Ants é um jogo para 2 a 5 jogadores desenvolvido por Hella Big Claws. Não tive, ainda, a oportunidade de ler este jogo, por isso aqui vos deixo a descrição do seu autor: “When a God is born, a story begins. A Story of Devils, Seraphims, clashing for power,  for redemption, for hope.  And, caught up in the middle of it, Ant’s, struggling not to be trampled underfoot. But Ant’s are not useless. Even the smallest creature can topple a king. Peter killed Goliath, right? So why can’t an Ant kill a God?

Sobre o reino da necessidade

Rafael Carneiro Vasques criou este jogo para dois jogadores que não necessita de mestre de jogo. As mecânicas de jogo fazem lembrar um jogo de tabuleiro com acções narradas, onde um jogador assume o papel do povo e outro da nobreza.

SKATER+

Este jogo utiliza o sistema GUTS+ e foi desenvolvido por Robbie Antenesse. É um jogo em que os personagens são skaters que se vêem desafiados por outros grupos e onde devem conseguir demonstrar os melhores feitos em cima dessas pranchas terrestres dominando o skate park.

Como foi o meu dia?

Como foi o meu dia? é um jogo de em que seguimos pistas que nos levam a conhecer o dia de outro jogador, desenhado para ser jogado uma vez por dia. Neste jogo um dos jogadores lança uma pista e todos os outros tentam ficcionar em torno da pista o dia desse jogador. No final, depois de rodarem todos os jogadores, o que mais se aproximou da verdade e mais pontos facturou ganha. Não é normal vermos jogos classificados como RPG com esta noção do ganhar e perder.

H.A.R.P.A

HARPA é um jogo de Bruno Ribeiro esculpido a partir do The 101 de Rui Anselmo. Neste jogo o passado pode ser modificado, alterado, no estilo de alternate worlds e onde os jogadores são operacionais da HARPA, uma organização que “gere” informação que usa essa informação para explicar fenómenos paranormais.

The Jekyll Hypothesis

Este jogo de GameMaru passa-se na Londres Vitoriana após os acontecimentos relatados no livro O Estranho Caso de Dr. Jekyll e Mr. Hyde de Robert Louis Stevenson, e explora a premissa de que as experiências do Dr. Jekyll não foram de sua exclusividade e que mais pessoas as fizeram. O jogo explora estes elementos onde os jogadores assumem o papel de personagens neste mundo de ciência louca e que levou muitos a serem mais do que um.

The Crepuscular Realms

The Crepuscular Realms é um jogo que é um hack de Agone mas com um sistema próprio. Neste sentido este jogo resulta de uma tradução do jogo original com novas mecânica criadas pelo autor, Daniel Barbosa dos Santos.

Kings of the Sky

Kings of the Sky é um jogo que não recorre a mestre de jogo para 2 a 6 jogadores que assumem o papel de pilotos de caça numa frente esquecida da Primeira Guerra Mundial em 1916. É um jogo onde também há vencedores; o jogador que arrecadar mais pontos de prestígio ganha. É um jogo da autoria de Francisco Duarte.

Marés de prata-viva

Marés de Prata-viva é um jogo do scumbagDM, da Maré-Baixa, e mais um hack esculpido de Apocalypse World onde os jogadores assumem o papel de piratas. O ambiente de fantasia funde-se com um cenário pós-apocalíptico de onde poucos sobreviveram e onde ainda menos conseguem navegar nos novos mares de prata.

Catástrofe!

Em Catástrofe! os jogadores enfrentam um acontecimento catastrófico ou evitam que um aconteça. Neste jogo de Caue Reigota, Guilherme Nascimento e Tadeu Rodrigues, os jogadores – Sobreviventes, rolam contra o tempo e enfrentam os problemas e a catástrofe definida pelo Corvo.

Arixás – Crises no Afrofuturo

Arixás, de Henrique Andrade, é um jogo de sci-fi, afrofuturista, que parte da premissa que as navegações nunca ocorreram e que África assumiu um papel diferente na história. Neste jogo os jogadores assumem o papel de Arixás (Avatar+Orixás) que protegem a Mãe África de uma ameaça iminente.

Vogue Contra a Maldição

Este jogo de Raol Fontura, onde os personagens são heróis que lutam pelos menos afortunados, aprisionados pela maldição da crueldade, num mundo onde uns possuem o poder de a tudo obrigar outros. O jogo utiliza como fulcro do acaso um baralho de cartas.

Crónicas de Duthrailoth

Em Crónicas de Duthrailoth, Fenix Negra, propõe um jogo não cooperativo, de simulação militar onde os jogadores assumem o papel de um rei-general no mundo de Duthrailoth. O mestre de jogo assume o papel de mediador, e é neste elemento que me faz lembrar o jogo Diplomacy, cada jogador anuncia, em segredo, as suas acção ao MJ, medindo-se posteriormente o resultado.

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